sábado, 23 de maio de 2020

BOOKSHELF | Sono (Haruki Murakami)


Sono traz-nos a história de uma dona de casa que leva uma vida perfeitamente normal. Casada e mãe de um filho pequeno, a protagonista leva uma vida rotineira onde a ida ao supermercado ou as refeições em família são o pico dos seus dias. Certa noite, a protagonista tem um pesadelo (que pode ser comparado com a paralisia do sono) onde vê um idoso vestido de preto, a seus pés. A partir daí a mulher não consegue voltar a dormir... e mantém-se acordada durante dezassete dias seguidos.

A premissa deste conto de Murakami é intrigante. Ainda que o seu desenvolvimento não me tenha agradado por completo - achei-o apressado -, confesso que foi uma leitura refrescante e que me deixou alerta desde início. Foi a primeira obra que li do autor e curiosamente não esperava uma escrita tão leve e fluída. Foi muito bom agarrar-me a este pequeno conto e devorá-lo, página por página, enquanto me deslumbrava com as fantásticas ilustrações de Kat Menschik.

Sono é uma obra que nos faz refletir sobre as pequenas coisas da vida e sobre as rotinas que nos são impostas desde pequenos. Faz-nos questionar o que fazemos neste mundo e até que ponto nos conseguimos esquecer de nós próprios para cuidar daqueles que mais amamos. Acredito que cada um de nós se consiga rever na protagonista e por mais que isso pareça aliciante, é também muito preocupante.

Haruki Murakami não tem medo de nos confrontar com a nossa própria realidade - talvez por isso os personagens não tenham nome -, e chega a ser desconfortável, se nos deixarmos envolver em demasia. O final é inesperado, com imensas interpretações possíveis. Portanto só me resta dizer uma coisa: leiam, vale muito a pena!


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★★★

Título: Sono
Autor: Haruki Murakami
Páginas: 96
Género: Contos
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Já leram o livro? O que acharam? 

quinta-feira, 21 de maio de 2020

WATCHLIST | Razões Para Ver The Circle


The Circle é um dos reality-shows da Netflix que mais tem dado que falar nos últimos meses. Lançado no início de 2020, o programa é uma adaptação do original britânico com o mesmo nome. A mecânica do programa é simples: os concorrentes em jogo estão dentro de uma casa e têm de interagir entre si. Mas calma... não é como no Big Brother. Aqui, cada concorrente tem o seu apartamento e a interação com os restantes jogadores acontece através de uma plataforma digital chamada "The Circle". Eles só podem enviar mensagens por escrito, partilhar fotografias ou atualizar o status

O twist do programa - e o que o torna intrigante e deveras viciante - está no facto de cada concorrente puder ser quem quiser. Ou seja, tanto podem entrar no jogo sendo eles mesmos (seja na personalidade ou nas fotografias que escolhem partilhar) como podem tornar-se num catfish e enganar toda a gente. O objetivo - e o que os leva à vitória - é serem populares. Todos os dias os concorrentes são obrigados a classificar os seus adversários, através de ratings. Os membros mais votados tornam-se influenciadores e, com isso, ganham o poder de eliminar um concorrente. 

Parece-vos interessante? Pois bem, então aqui estão algumas razões para não perderem (mesmo!) o reality sensação do momento.


JÁ CONTA COM QUATRO VERSÕES DIFERENTES
Ainda que a versão original não esteja disponível na Netflix, a plataforma já produziu e disponibilizou três versão do The Circle: Estados Unidos, França e Brasil. Cada temporada conta com 12 episódios, com duração que varia entre os 35-50 minutos. A versão US foi a primeira que vi e, consequentemente, é também a minha favorita. Ainda assim, posso adiantar já que a versão francesa é também muito boa (ainda que um pouco previsível, a meio do jogo). A versão brasileira não me captou grande interesse, sou sincero.


CONCORRENTES ICÓNICOS!
O reality-show é absolutamente viciante. É impossível terminar um episódio e não querer ver o próximo. Os twists do programa ajudam imenso (não posso revelar muito sobre as mudanças no jogo, mas vale muito a pena!), mas acredito que a magia principal esteja nos concorrentes. As versões US e FR têm concorrentes extremamente carismáticos, inteligentes e divertidos. Ainda que estejam todos ali num jogo, torna-se impossível não criar ligações uns com os outros e isso é muito interessante e bonito de se ver.


É DINÂMICO E INTRIGANTE!
Se acham que o programa se pode tornar monótono por eles falarem apenas através da plataforma digital, sem contacto físico, enganam-se! Esse era também um dos meus receios quando comecei a ver The Circle, mas a verdade é que o reality-show é extremamente dinâmico e intrigante. Há sempre alguma coisa acontecer, as ligações que se formam são absolutamente viciantes para quem está a ver e as reviravoltas no jogo são inesperadas. Além disso, sempre que um concorrente abandona o programa, um novo surge. Isso dá uma dinâmica muito interessante e faz com que os concorrentes lá dentro estejam sempre alerta.

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Trailer oficial da versão americana. The Circle US foi renovado para um segunda e terceira temporada,a estrear em breve na Netflix.

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Ficaram curiosos? Abram já a Netflix e vejam!



quinta-feira, 7 de maio de 2020

TRÊS HÁBITOS A MANTER APÓS A QUARENTENA


Mesmo com o Estado de Emergência dado como encerrado - e visto que, neste momento, não estou a trabalhar -, não tenho intenções de me livrar da quarentena. Abracei o isolamento social desde o primeiro dia em que foi possível e assim me irei manter durante as próximas semanas. Ainda assim, decidi trazer-vos já esta publicação. Não só porque a vida, aos poucos, vai voltando ao normal (ainda que eu ache um erro o fim do EE, mas isso é outra conversa), mas também porque me servirá de incentivo para quando voltar à correria do dia-a-dia.

EXERCÍCIO FÍSICO
Quem me conhece dificilmente acredita, mas é mesmo verdade: tenho feito exercício físico diariamente. Desde que comecei - há algumas semanas -, que só me baldei uma ou outra vez. Tem sido uma rotina diária muito interessante e inesperada, a meu ver. Nem sempre é fácil arranjar vontade de levantar do sofá e suar um bocadinho, mas a verdade é que depois de começar parece que se torna mais fácil. É, sem dúvida, algo que quero manter na minha vida.

EXPERIMENTAR NOVAS RECEITAS
Apesar de já me ter passado um pouco a febre das novas receitas diárias, a verdade é que neste isolamento descobri na cozinha um novo amor! Já costumava cozinhar diariamente - e de vez em quando fazia algumas sobremesas -, mas nunca ariscava muito. Isso mudou com toda esta situação e já experimentei imensos pratos novos que me deixam bastante orgulhoso. Desde o Cheesecake de Frutos Vermelhos que vos mostrei aqui ao Pãodemia que se tornou viral, confesso que a minha cozinha quase virou o Festival de Comida do Continente! Algumas receitas que experimentei e pretendo trazer cá para o blogue são: tarte de nata, mousse de chocolate caseiro, quiche de frango e alho francês, rolo de carne recheado com queijo e fiambre, bolo mármore de cenoura, entre outros! 

ORGANIZAÇÃO DA CASA
Sou uma pessoa bastante organizada, mas há coisas nas quais não consigo encontrar um balanço. Um bom exemplo disso, por exemplo, é na quantidade de roupa lavada que às vezes deixo acumular por preguiça de engomar. Se há coisa que odeio nas lides de casa, é engomar roupa. Ainda assim - e uma vez que tinha bastante tempo livre -, nesta quarentena consegui ter sempre a roupa em dia (e desengane-se quem pensa que tinha menos roupa para engomar, pelo contrário!). É chato perder tempo com a roupa? É. Mas descobri que mais vale fazê-lo mal a roupa seque, a deixar amontoar. E é este tipo de organização que pretendo manter na minha vida e na minha casa.

BÓNUS: O BLOGUE!
O AFAR já estava a ser planeado antes da pandemia, mas foi lançado em pleno estado de emergência. A probabilidade de ainda estar na gaveta caso isto não tivesse acontecido é grande, mas confesso que agora não quero desfazer-me mais dele. Ainda que seja só um simples hobby e que eu não venha cá muitas vezes, a blogosfera é sempre algo que me faz bem e desta vez não está a ser diferente. Portanto sim, o AFAR vai continuar por aqui!

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E vocês? Que rotinas pretendem manter agora que estamos a voltar à vida normal?

terça-feira, 5 de maio de 2020

BOOKSHELF | A Cada Dia (David Levithan)


A cada dia, A acorda num corpo diferente. Não importa o lugar, o género ou a personalidade: A precisa de se adaptar ao novo corpo e viver a vida de outra pessoa durante um só dia. Há 16 anos a viver desta forma, A já aprendeu e criou as suas próprias regras: não se apegar demasiado, evitar ser notado e não interferir. Mas tudo muda quando A acorda no corpo de Justin e conhece a sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam e A deixa de seguir as suas próprias regras. 

Desde a primeira vez que ouvi falar deste livro - há muito, muito tempo -, que fiquei com uma vontade enorme em lê-lo. Considero a premissa de A Cada Dia um tanto ousada e tinha imensa curiosidade para perceber que rumo podia esta história ter. O livro revelou-se uma ótima companhia para os meus finais de tarde e deixou-me com algumas questões e reflexões. 

Ainda que a história de amor de A e Rhiannon seja um pouco brusca (e enjoativa, talvez), acredito que a magia do livro esteja precisamente no facto do protagonista acordar todos os dias num novo corpo. Sempre que um novo dia amanhecia, eu empolgava-me para tentar perceber quem era A naquele dia e que obstáculos iria enfrentar. 

É impossível não nos identificarmos com alguns dos corpos onde A habitou. O autor tem o cuidado de nos apresentar todo o tipo de jovens e vários problemas que fazem parte da adolescência. É aí que A Cada Dia nos faz refletir: o autor pega em problemas que podiam (ou são) nossos. Descreve corpos que podiam ser os nossos. Mostra-nos famílias ou amigos que podiam ser os nossos. E faz-nos refletir cada vez que A se prepara para deixar o corpo. O amanhã, para A, não existe. Já pensaram se, para nós, também não? 

A verdade é que o amanhã é uma incógnita para todos nós. É aí que o livro nos consegue deixar mais vulneráveis, ao nos fazer pensar do que seria de nós se só tivéssemos um dia para viver a nossa vida. Acredito que durante a leitura a maioria de nós não pense "como seria a minha vida, depois de A ter estado nela?", mas sim "como seria se fossemos A?". Como iríamos viver sem termos oportunidade de fazer planos? De criar ligações? De viver com quem mais amamos? 

Mesmo sendo uma leitura bem leve e rápida - que eu decidi arrastar por quatro finais de tarde, por estar a gostar tanto -, A Cada Dia deixa-nos nostálgicos e com vontade de agarrar o agora. Faz-nos olhar para a nossa vida e deixa-nos com vontade de viver o presente da melhor forma possível. E deixa-nos com a certeza de que somos uns sortudos por termos vida. Por sermos alguém. Por termos família, planos para o futuro e, principalmente, um corpo que só a nós pertence.

O plot twist final é bem interessante e inesperado. Pelo menos para mim foi, uma vez que não sabia que havia uma continuação (A Cada Dia faz parte de uma trilogia, gente!!!) e esperava um final bem diferente daquele que foi apresentado. Ainda assim, achei que foi uma saída um bocado apressada e ousada, por parte do autor.

Não sei se irei ler os dois livros que completam a trilogia. Acho que prefiro ficar com a boa sensação que A Cada Dia me deixou e imaginar como seriam os desenvolvimentos depois daquele final. E uma vez que já vi a adaptação cinematográfica do livro e me desiludi bastante (mas mesmo bastante!), tenho algum receio que os próximos capítulos sejam também um retrocesso desta história tão especial.

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★★★★☆

Título Original: Every Day
Título em Português: A Cada Dia
Autor: David Levithan 
Páginas: 288
Género: Romance, YA
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Já leram o livro? O que acharam? 

quarta-feira, 22 de abril de 2020

REVIEW | The Morning Show


[REVIEW SEM SPOILERS]

Alex Levy (Jennifer Aniston) e Mitch Kessler (Steve Carell) são uma das duplas mais famosas da televisão americana. Juntos apresentam o The Morning Show, um dos programas de maior sucesso da estação televisiva UBA. Quando Mitch é acusado de assédio sexual no trabalho - e logo afastado do formato -, tudo muda na vida daquela equipa.

Âncora do programa e grande amiga de Mitch, Alex alega não ter conhecimento da má conduta do co-apresentador e mostra-se preparada para enfrentar a situação e assegurar a apresentação do programa. Mas Cory Ellison (Billy Crudup), diretor de informação da UBA, vê ali a oportunidade perfeita para reinventar o The Morning Show e recuperar a audiência perdida ao longo dos anos.

É aí que entra Bradley Jackson (Reese Witherspoon), uma repórter de um pequeno canal conservador, que se torna viral no Twitter após um discurso intenso no meio de uma manifestação. Bradley é convidada para uma pequena entrevista com Alex no The Morning Show e a faísca entre ambas é evidente. Se por um lado todos acham que Bradley é uma mera convidada do programa, Cory tem outros planos para ela... e aquela entrevista é só o primeiro teste.

É esta a premissa de The Morning Show, a primeira grande aposta do serviço de streaming Apple+. Estreada no ano passado, a série tornou-se no lançamento mais bem sucedido do serviço. Mesmo com críticas mistas, a trajetória da série é positiva e prepara-se para estrear a segunda temporada.


Numa opinião pessoal, confesso que The Morning Show não me prendeu logo no primeiro episódio. É uma série que começa com um ritmo mais lento, mas que ao longo dos dez episódios vai explodindo. O desenrolar da história não é, de todo, previsível e todos os personagens parecem ter intenções que o público desconhece. Não sabemos por quem torcer e talvez seja aí que a série peca, uma vez que não sabemos o que esperar dos personagens. Ainda assim, considero que seja exatamente isso que dá vida à série e que nos deixa agarrados. As várias camadas dos personagens e o plot ambíguo fazem-nos querer ver mais.

Para além das prestações incríveis de Jennifer Aniston, Reese Witherspoon e Billy Crudup, que nos captam toda a atenção, uma das coisas que mais gostei da série foi ver os bastidores e o dia-a-dia de um programa de televisão. Ter acesso à vida daquelas pessoas atrás das câmeras é delicioso e passamos os episódios a questionar e supor se a nossa televisão (a portuguesa) funciona da mesma forma.

The Morning Show foca essencialmente nas relações pessoais e nas várias ligações que desenvolvemos com os outros. Ainda assim, traz para cima da mesa assuntos importantes a debater como o assédio sexual, o movimento #MeToo, o feminismo e muito mais. É, claramente, um must watch.

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Algum fã de The Morning Show por aí?
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